Textos da Autoria de João Iria desde Abril de 2000 com actualizações sempre que há um novo Texto. Textos relacionados com Amores e Desamores! João Iria: joao.iria@sapo.pt
Quarta-feira, 27 de Julho de 2005
"Fumo..."
Fumo porque me dá prazer...
Fumo porque preciso...
Fumo porque sinto falta...
Mas onde acaba o prazer
e começa a necessidade?

A minha boca pede...
E eu acendo o cigarro.
Os meus pulmões pedem...
E eu apago o cigarro.
Mas porque fumo?
Porquê deste vicio?

Há quem fume só tabaco...
Há quem fume outras coisas...
Para se sentir diferente?
Para se sentir outro?
Para se sentir adulto?
Para se afirmar?
Então deixa de fumar
E afirma que és capaz!
Que és diferente de quem fuma!
Que és adulto e responsável!

Mas eu fumo!
Fumo porque quero!
Porque gosto!
Porque preciso!
Simplesmente “Fumo...”

Julho de 2005 - João Iria


publicado por WandereR às 06:25
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"Um escritor?"
Mas o que é um escritor?
Alguém que escreve?
Mas escreve o quê?
Palavras soltas,
Frases simples,
Textos soltos...
E faz algum sentido o que escreve?
Mas sentido para ele?
Ou para quem lê?
Então escreve para si ou para os outros?
Escreve para relembrar?
Ou escreve para que notem nele?
Para provar que existe?
Para deixar algo depois de morrer?
Então se assim for
Os textos serão como filhos...
Mas sem a capacidade de se tornarem maiores
A não ser como inspiração para outros
Outros escritores...
Mas o que são esses escritores?
Alguém que escreve?
Mas escreve o quê?
E porquê?
Porque alguém o fez um dia?
Então quem foi o primeiro escritor?
Será de amaldiçoar a sua acção?
Ou de valorizar a sua coragem,
De fazer algo pela primeira vez,
De começar uma altitude antes de todos.

Em que se terá inspirado o primeiro?
E o segundo?
Para além de continuado
O trabalho do primeiro.
Quantos serão os escritores?
Serei eu um escritor?
Mas o que escrevo?
Escrevo para mim?
Escrevo para me libertar?
Escrevo para me relembrar?
Apenas escrevo o que penso!
Serei eu “Um Escritor?”

Julho de 2005 - João Iria


publicado por WandereR às 06:15
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"Os sentidos..."
De todos os sentidos qual o mais importante?
Um cego dirá que é o olhar.
Um surdo o ouvido.
E os outros?

Sem o olhar só podemos imaginar
O pôr-do-sol, do vermelho ao amarelo,
O cinza e o azul.
O rosto de alguém desconhecido.
O verde do bosque,
O preto das sombras,
O castanho das árvores.
O amarelo das searas,
O castanho das terras,
O vermelho dos frutos
E o azul da agua.

Sem o ouvido só podemos sentir
A batida de uma bateria,
O vibrar de uma viola,
Observar os movimentos de um maestro
Sem ter a certeza do acompanhamento dos instrumentos,
Sentir o voo dos pássaros mas não ouvir o seu canto.
Sentir o sacudir das arvores mas não ouvir o seu vento.
Só podemos sentir...

Sem o cheiro só podemos relembrar
A beleza de uma rosa também está no seu cheiro.
A comida também se prova com o cheiro.
O cheiro da chuva depois de uma tarde de calor,
O cheiro do mar e do peixe,
O calor do fogo sem o cheiro do fumo.
O calor de um amante sem o cheiro do seu suor.
O cheiro da serra pela manhã.
Tudo só pode ser comparado...

Sem o tacto só completando com imaginação.
Ao vermos um porco espinho
Sabemos que ele pica.
Ao vermos um esfregão
Sabemos que arranha.
Ao vermos um corpo esbelto
Saberemos que é suave?
E a chuva ao cair será fria ou quente?
Será suave ou áspera?
Só podemos imaginar...

Sem o sabor nada tem prazer.
Qual o prazer de comer algo doce
Sem saber que é doce!
Qual o prazer de comer
Se nem sabemos a que sabe o nada?
O acido de uma maçã,
O doce de um morango,
O áspero de um maracujá,
O sabor espesso de uma banana.
Sem sabor e sem prazer...

Mas os sentidos não estão todos!
Ainda há aquele que não se acredita
Aquele que nos diz “avança” ou “pára”.
Aquele que diz o que vai acontecer
Antes de acontecer.
Aquele que nos faz andar.
Muitas vezes esquecido.
Muitas vezes desacreditado.
Mas que existe... ou será que não?
Muitas vezes é este que ajuda os outros.
Ajuda a ver o que não se consegue.
Ajuda a ouvir o que se sente vibrar.
Ajuda a cheirar o que se conhece.
Ajuda a tocar o que está distante.
Ajuda a saborear o que está a ser feito.

Qual será o mais importante?
Qual será o que mais falta faz?
Para se VIVER todos fazem falta...
“Os Sentidos...”

Julho de 2005 - João Iria


publicado por WandereR às 06:00
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"Palavras sem sentido..."
Todas as noites tento escrever!
Junto palavras em frases,
Mas tudo sai sem sentido.
Palavras que não se dão,
Palavras que não jogam,
Até que por breves momentos,
Momentos de inspiração
Há palavras que se agarram,
Palavras que se juntam
Sem eu ver.. sem eu tomar atenção,
Não deixam de ser palavras sem sentido
Passam só a palavras juntas
Palavras em conjunto.

No final não tenho nada
Nada que goste,
Mas quando outros olhos lêem
Tudo parece fazer sentido...
Mas que sentido?
Não se trata de nada a não ser
“Palavras sem sentido”.

Julho de 2005 - João Iria


publicado por WandereR às 05:40
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Terça-feira, 26 de Julho de 2005
"Os Heróis Esquecidos..."
Eles chegam vestidos sem que ninguém saiba quem são,
Para vestir as cores opostas,
Cores de calor e de frio,
Cores de fogo e de água,
E aguardam pelo apelo,
Pelo toque do telefone.
Aguardam pacientemente,
Em ambiente alegre e de diversão.

Até que o som já conhecido se ouve à distancia
O toque do telefone.
E tudo pára e se prepara.
À espera do sinal de partida.
Do sinal que indica o destino.

O sinal é dado!

O corpo começa a acelerar,
A alimentar-se de adrenalina,
E correm... correm para o que não sabem.
Têm apenas uma ideia do que os espera.
Têm apenas uma ideia para onde vão.
Mas vão destemidos correndo,
Correndo pelas ruas de uma cidade como qualquer outra.

Alguém os espera...

Ao chegar vêem alguém em sofrimento,
Uma vitimai... vitima da vida... vitima do momento.
E lê-se nos seus olhos
Sofridos pelo momento
A alegria de ver o seu salvador,
Como se de um anjo se tratasse.
Alguém enviado pelos céus para a salvar.

Fazem o que têm de fazer,
Tentam salvar esta vitima,
Tentam saber o que levou a ser vitima,
Fazem tudo que podem.
Tudo o que é preciso fazer.
Agem com segurança e sem medos,
Mãos firmes e seguras,
Segurando a vida de quem sofre,
Agindo rápido...

De volta às ruas,
Tudo é ocupado pela luz Azul...
Reflectida em todas as paredes...
E nas caras de quem vê.
Sendo reconhecidos por todos...
Todos que abrem caminho para que passem.

Novamente na corrida desenfreada,
Com um destino mais que conhecido,
De outras corridas, de outras vitimas...
Alguém os espera...
A adrenalina não pára.
Nos olhos de quem sofre,
Lê-se a gratidão... a confiança...
A vontade de agradecer aos céus pelos anjos...
Mas não são anjos salvadores...
São apenas humanos.

Chegados onde são esperados...
Despedem-se com alguma mágoa...
Mágoa de não poder fazer mais...
Mas agradecidos por terem conseguido fazer o que podiam.
Observam, ao longe, o olhar de gratidão...
Nos olhos de quem acabaram de salvar.

Podem agora, debaixo das estrelas,
Relaxar, deixar-se abater, ressacar da adrenalina,
Tremer, chorar, revoltar-se, enfurecer-se...
Fumar, fechar os olhos, pensar no que fizeram...
Foi tudo tão rápido,
mas podem agora mostrar o medo,
o receio de falhar, mostrar que são mortais e humanos.

Está na hora de voltar ao castelo...
Ao refugio... Ao quartel!
Onde podem repousar e esquecer...
Onde estão outros como eles...
A libertar o corpo da adrenalina...
Essa saudável droga.
Até ao próximo toque de telefone...
Até ao próximo sinal de partida...
Até alguém voltar a precisar deles.

No fim de tudo há quem pergunte
Quem são eles? São...
Homens e mulheres que não são Heróis...
Homens e mulheres que não são Anjos...
São apenas necessários, mas esquecidos...
Homens e mulheres que misturam-se na cidade
Como pessoas vulgares... mas por vezes
Vestem a pele de heróis que não o são...
Só fazem o que é preciso mas esquecido.

São “Os Heróis Esquecidos...”

Julho de 2005 - João Iria


publicado por WandereR às 07:40
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WandereR
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